CARROS ELÉTRICOS COMO SOLUÇÃO ECOLÓGICA
UE escolhe o carro elétrico como prioridade na região.
 

A União Europeia (UE) aprovou ontem uma nova estratégia para aproximar o parque automotivo europeu das novas exigências ecológicas. Ela dará mais estímulos à produção de carros elétricos do que aos veículos movidos a etanol ou biodiesel. Bruxelas estima que o número de carros no mundo passará de 800 milhões a 1,6 bilhão até 2030. Essa duplicação exige mudança radical de tecnologia para assegurar uma "mobilidade sustentável" no longo prazo e reduzir a emissão de carbono do setor de transporte. Os veículos convencionais continuarão a ser o meio de transporte predominante por muito tempo, mas a UE prevê uma expansão rápida dos carros elétricos. De fato, a corrida pela "pole position" na transição para esse tipo de produção já começou. Os Estados Unidos impulsionam essa produção. E a China entrou firme no mercado, estabelecendo o objetivo de produzir um milhão de carros com bateria elétrica por ano a partir de 2012, acompanhado de subsídios a produtores e compradores. A UE há anos vem tentando estimular a produção do "carro verde". Só que veio a pior crise econômica dos últimos tempos, que forçou os construtores a cortar investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Bruxelas reagiu destinando um pacote de € 6 bilhões, no seu plano de recuperação, para a iniciativa do carro verde. Ontem, Bruxelas esboçou a estratégia para estabelecer a Europa como um líder no mercado global de "carros verdes". O documento diz que a UE não favorece nenhum tipo particular de tecnologia. Mas logo aponta limites dos motores movidos por biocarburante. "Os biocarburantes como etanol ou biodiesel podem ser misturados com o carburante convencional e usado nos motores de combustão atuais até um certo ponto", diz o documento. "No entanto, uma mistura maior exige modificações no sistema e no motor do veículo. E para ser alcançada a redução do impacto ambiental, quando comparado com o petróleo ou diesel, os combustíveis alternativos precisam ser produzidos de maneira sustentável." Por outro lado, a UE mostra-se bem mais entusiasmada sobre o potencial de carros movidos a eletricidade, hidrogênio ou biogás. Diz claramente que o carro elétrico com "ultra-baixa emissão de carbono e baterias de combustão de hidrogênio constituem as opções mais promissoras". Cita estudo que prevê que a fatia global dos elétricos na venda de novos carros pode alcançar 20% até 2030. Nota também que os carros "menos poluentes e com menor barulho têm também os maiores benefícios sociais, incluindo para a saúde nas áreas urbanas". A estratégia europeia de oito pontos para adequar o parque automotivo às novas exigências ecológicas inclui simplificação na concessão de apoio para pesquisa e inovação, o desenvolvimento de padrões para os carros elétricos, criação de rede na Europa para que os consumidores possam recarregar as baterias e novas normas de redução de emissões para carros pesados. A UE quer estimular os governos a, quando comprarem novos veículos, que façam uma avaliação entre os carros clássicos e os elétricos levando em conta custos inclusive das emissões de gases. Até o fim do ano, a UE quer esboçar incentivos financeiros para quem comprar "carro verde". A França está na dianteira. O governo assinou acordo com Peugeot e Renault para tornar os carros elétricos e híbridos disponíveis ao publico ainda este ano. Para isso, prometeu € 2,5 bilhões ao setor. Quem comprar na França um carro elétrico vai receber um abatimento de € 5 mil. Para criar o mercado, o próprio governo vai encomendar 100 mil veículos elétricos. Em todo caso, uma rápida mudança estrutural na produção de carros é improvável, diz Eric Heymann, analista do Deutsche Bank. A questão principal é que as baterias ainda são muito pesadas e, sobretudo, muito caras. O custo mínimo varia de € 10 mil a € 15 mil. E a eletricidade tampouco é gratuita. Um carro elétrico só pode valer a pena se puder rodar 250 mil quilômetros com a mesma bateria, o que é improvável. A própria UE admite outra dificuldade para a produção em grande escala de veículos elétricos. Alguns dos materiais usados para sua produção são pouco abundantes e concentrados em poucos paises, incluindo metais nobres para as baterias. Assim, será necessário também garantir um "acesso equitativo e aberto" a esses materiais, para que uma "eventual penúria não cause prejuízos a competitividade da indústria da UE". Certo mesmo é que, se um dia o Mercosul concluir um acordo de livre comércio com a UE, e obtiver cota para exportar carros para a Europa, as exigências ecológicas serão particularmente severas.

Fonte: Assis Moreira - Valor Econômico

 
 
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